Friday, February 8, 2008

"Timings" are a girl's best friend

Curiosamente, o Director Nacional da PJ não disse o que disse e eu não ouvi o que ouvi.
Afinal, tudo não passou de uma questão de "timings". Por acaso, até tenho uma simpatia fraternal por desculpas esfarrapadas mas, como tudo na vida, também elas estão sujeitas às rígidas leis dos..."timings".
Ao menos a Justiça já deu à Costa! Ah bolas, foi o Costa que deu na Justiça...às vezes precipito-me...

Friday, January 11, 2008

The Importance of Being Earnest

"The world is a stage, but the play is badly cast." - Oscar Wilde

Cá em Portugal, esta frase atinge proporções drásticas. Ninguém faz aquilo para que foi designado pela Providência. Por exemplo, eu em vez de estar num iate a gozar o Sol das Caraíbas (foi essa a missão divina de alto risco que me foi confiada), estou por aqui a escrever num dia chuvoso.

Se toda a gente perdesse, eu aguentava com resignação filosófica. Não me importo de trocar uma vida dedicada ao ócio num país exótico por uma vida exótica num país dedicado ao ócio. Mas não posso deixar de ficar indignado ao ver que alguns dos meus compatriotas saem a ganhar com a troca de papéis!

Há Presidentes de Câmara, pelo menos para isso foram mandatados, que se dedicam a comentar casos de polícia em programas televisivos. Do mesmo modo, há polícias que só prendem ladrões nas novelas e séries que escrevem.
Até a Botânica deste país se vê afectada pela salganhada! Não é por acaso que já as moitas querem ser flores.

Eles recebem aplausos pela assertividade das declarações e a mim chamam-me mandrião. Eles são respeitados pela sociedade, eu sou considerado improdutivo.
Será muito exigir que também eu seja famoso e admirado por não fazer aquilo que me pediram?

Não sei não Deus, mas é bom que me compenses um dia e olha que eu sou um agiota no que toca a juros. You owe me.

Friday, January 4, 2008

Two wrongs don't make a right

Se não pode ser como quero, que seja como queres: simples. Não podes é ouvir uma palavra do que digo, aparece à porta e leva-me. O consentimento é vão, cuidadoso, racional e inútil. Expectativas, medos e monstros afins, todos já lá estivemos, apetece-me sair cá fora, pela primeira vez.
Não é por ser hoje, e certamente não é pelo frio e pela chuva. Que seja! Em mil razões, que essa seja uma. Continuo com a língua presa, à espera que me agarres pelo braço. Tem que ser já.
Então, hoje ou amanhã?

Being Camus

Sentiu uma dor lancinante na alma. A sensação era recorrente, mas havia algo nela que hoje a tornava especialmente insuportável. Pouco depois, surgiram-lhe uns nódulos no peito.

Toda a gente sabe que as mágoas da alma têm reflexos no corpo, se é que se pode separar o espírito da matéria.

Ligou mas do outro lado estavam demasiado ocupados para atender, o que é compreensível tendo em conta a azáfama e as exigências dos tempos que correm. Procurou ajuda e não encontrou ninguém. Decidiu confiar em si para resolver o estranho caso, como tantas outras vezes na vida (“para que havemos de importunar alguém com os nossos problemas? “- pensava).

Foi ao Hospital certa de que, num local onde o sofrimento é serenado na medida do possível, encontrariam o remédio para o seu caso peculiar. Deitaram-na numa maca e pediram-lhe que aguardasse. Entende-se, pois por muito penosa que fosse a sua situação, haveria alguém num estado pior.

Esperou, esperou, e enquanto durava ia pensando. A dor tornara-se ainda mais pungente. Repentinamente percebeu que durante toda a sua vida nada mais apreciara do que aquele momento de espera, repetido ao longo dos anos. Tanto absurdo provocou a única saída possível, o último suspiro.

Quando se lembraram dela já era tarde.

O médico, homem de ciência e razão, quando fez a autopsia (obrigatória, pois o caso era realmente esquisito) concluiu que os nódulos no peito, em rigor no coração, só tinham uma justificação...............................................solidão.

Monday, November 19, 2007

Can't Buy Me Love

O amor é algo que não se pode comprar, ou se tem ou não se tem dependendo do quão execrável se é. Pelo menos, foi assim que mo venderam.

É claro que só os ricos é que se podem dar ao luxo do "amor e uma cabana". É privilégio deles. Para os demais, há que tomar em conta a praticabilidade, as considerações práticas do amor. Estas são apenas duas ou três questões a que temos de responder. Mais do que isso e passamos a ser racionais o que, convenhamos, só atrapalha.

Por isso é que fico espantado por ver que até já há gestores de marketing que se comprometem a melhorar os relacionamentos através de técnicas de...marketing, propondo para isso ideias para a "venda do seu produto", como revitalizar o mesmo, fazer uma análise de fraquezas e forças (o que em muitos se revela como fraqueza- o que eu sinto depois de força- sentir o teu gancho direito), tornando assim toda uma relação muito mais cheia de "glamour", de acordo com os ner...gestores.
"Contentamento descontente"? Análise SWOT ao coração (?!). Até a linguagem se parece com a do Admirável Mundo Novo.

Devem ser reflexos da sociedade de consumo, na qual tudo tem preço, custo e é optimizável. Nada contra, enquanto a cabeça for usada para fazer contas e conversas sociais, está tudo muito certo. O caldo está entornado quando é preciso sentir. Ela não pode, não consegue. É o princípio da especialidade que, azar dos azares, está em crise.

Já eu basto-me com a praticabilidade das perguntas que o burro coloca no final do filme (You love this woman don't ya? Do you wanna hold her? Please her?). Houvesse mais burros destes e o o mundo era um lugar melhor.

No fundo é simples e por isso é que é tão complicado.

Thursday, November 15, 2007

"Estamos num país que vive numa ditadura"

Eis como a opinião de um ilustre desconhecido pode despoletar uma incursão sobre o estado da Nação.

De um ponto de vista meramente enciclopedista, a afirmação é de refutar. Nestas coisas é sempre bom consultar o dicionário como meio de fundamentar juízos. Um clique na Wikipédia, et voilá: “regime político autoritário em que os poderes legislativo, executivo e judiciário estão nas mãos de uma única pessoa ou grupo de pessoas, que exerce o poder de maneira absoluta sobre o povo”. Reafirma-se a discordância.

Concluo, provisoriamente, que não é por aqui que o gato vai às filhoses, por mais largas que sejam as mãos do Sr Primeiro Ministro. O estado das coisas já não é este: formalmente há 33 anos, materialmente há bem menos!

De todo o modo, e encerrando as palavras mais do que o seu sentido literal, pensei de seguida que podíamos estar perante uma ditadura em sentido metafórico. A conclusão foi forçosamente a mesma, quanto muito podíamos tentar a personificação, mas não a metáfora.

Existem democracias mais ou menos (im)perfeitas, mas sugiro que não as tratemos como ditaduras, mais ou menos avançadas. Para todos os efeitos, o 25 de Abril foi o “point of no return”: a partir daí é legítimo expor todos os podres da democracia, trazer à colação todas as suas virtudes e assumir as suas imperfeições. Mas não é nem construtivo, nem democrático, despromovê-la, espetar-lhe uma faca e anunciar que morreu. É obviamente falso e demagógico, dito com o vazio intuito de fazer crer na ressurreição dos restos mortais do Estado Novo.

Aderindo à moda das classificações, podemos atribuir um mísero 10 à nossa democracia, mas não é, de todo, pedagógico usar a bitola ditatorial.

Que dizer então quando uma auto-denominada democracia é um lobo com pele de cordeiro? Obviamente que a receita para um país democrático não se basta com uma Constituição e meia dúzia de leis, e é também certo que no mapa-mundo abundam líderes com rasgos de despotismo, variando entre atitudes ostensivas e dissimuladas.

Aceitando estes condicionalismos, deverá vingar o optimismo de que qualquer democracia, por mais incipiente, frágil e recente, tem nas mais experientes algum auxílio. Estas, não sendo paradigmas nem autoridades morais, têm sempre qualquer coisa a ensinar, com as conquistas, mas sobretudo com os inúmeros tropeções.

Devemos deixar-nos de regressos ao passado, sob pena de parecem saudosismo.

In dubio, pro democracia.

Thursday, November 8, 2007

Insane

http://www.nygirlofmydreams.com/

Fosse comigo, casava-me.

Tuesday, October 23, 2007

Bicarbonato de soda

Na Vida há os optimistas, os pessimistas e os realistas (que não são mais do que pessimistas finos).
Por mim, prefiro os humoristas.
Já está na hora de acabarmos com a discussão sobre o meio-vazio ou meio-cheio que está o copo com água! É beber o copo e acaba-se com a dúvida! Ou se tem sede ou não se tem, e se não se tem que nos importa o copo?! Mas, se se tem sede, então é beber até à última gota para que não levantem objecções!
Ao fim e ao cabo é só um copo...

Wednesday, October 17, 2007

no title

Life is a living hell!

Thursday, September 20, 2007

Five to One



Relembro os Doors

"The old get old
And the young get stronger
May take a week
And it may take longer
They got the guns
But we got the numbers
Gonna win, yeah
We're takin' over
Come on!"

É esta a maior democracia do Mundo... Um lugar onde se sentem no direito de tirar a vida a uma pessoa, "terroristas" absolvidos pelos tribunais americanos são mandados de volta para Guantánamo e onde perguntas incómodas são respondidas com um taser para aclarar as ideias.
Da próxima vez que afirmarem que determinado país não respeita os direitos fundamentais ou não é democrático eu tenho tamanhas munições de manguitos que levarão dois séculos a gastar!

A América é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz admirar a América!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a roupa!

E ainda há quem duvide que a América não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

"I found an Island in your arms
A country in your eyes
Arms that CHAIN
Eyes that LIE
Break on through to the other side!"

Saturday, July 21, 2007

Força de Viver

“A vida vale mais que a comida e o corpo mais do que a roupa….reparem nos lírios, que não fiam nem tecem.
Contudo, digo-vos que nem o rei Salomão, que era riquíssimo, se vestiu como qualquer deles.
Ora, se Deus veste assim as plantas que hoje estão no campo e amanha são queimadas, quanto mais vos há-de vestir a vocês, gente sem fé.” 1
Todos os dias me interrogo se eu ainda acredito, se tenho fé e todos os dias a resposta é sempre a mesma, não, não tenho! Perdi toda a fé que tinha pelos homens e perdi também toda a fé que depositava em Deus, esse ser incrível que fica lá do alto a observar os humanos como se de um jogo de xadrez se tratasse, como posso eu acreditar em algo assim? Todas as noites me deito e chamo por ele, tento falar-lhe e ele não me responde, durante muito tempo pensei que o silêncio seria a melhor resposta ás minhas perguntas, achei também que talvez ele estivesse chateado comigo e não me quisesse falar, tipo miúdo a bater o pé e a fazer beicinho, mas se Ele é Deus não ia perder tempo com um reles descrente como eu.
Que vás para o inferno deveria pensar Ele, que não acreditas em mim! Mas eu acredito senhor, simplesmente não te compreendo, é difícil compreender algo tão extraordinário, tão complexo, quer dizer o senhor é Deus!
O intelecto do homem está sempre a querer desvendar as coisas. Ele quer a resposta para todos os “ E se….?”. Deus, no entanto, não responde a esse tipo de perguntas. Diz, simplesmente: “ Confia em mim.” Isto significa que Deus guarda sempre o que tem de melhor para os que deixam que seja Ele a fazer a escolha. “põe a tua vida nas mãos do Senhor, confia nele e ele te ajudará.”2
Depois de prolongada reflexão cheguei à conclusão que não basta praticar o bem ou simplesmente não fazer o mal, temos que acreditar, porque só assim podemos satisfazer o temor da morte, sim, quer dizer viver meia dúzia de anos e depois não haver mais nada é capaz de ser chato!

Platão, o célebre filósofo grego, disse certa vez que há três fontes válidas de conhecimento.

1. Os cinco sentidos – tacto, paladar, olfacto, audição e visão – que o homem compartilha com o reino animal.

2. A razão – que distingue o homem dos animais inferiores.

3. À terceira fonte Platão deu o nome de “Divina Loucura” – referindo-se assim ao mundo espiritual da comunicação sobrenatural.

Mais tarde Aristóteles, discípulo de Platão, eliminou a terceira fonte – aquela faculdade inteiramente intuitiva pela qual o homem recebe ou obtém a percepção divina. Aristóteles afirmou que o conhecimento se obtém apenas pela utilização dos cinco sentidos e da razão.

O mundo ocidental foi profundamente influenciado pelos sentimentos de Aristóteles. Em culturas orientais e em culturas primitivas, no entanto, a referência ao mundo dos espíritos – o mundo dos sonhos, visões e comunicação sobrenatural – é comum em todos os níveis sociais.

A pergunta que eu faço é, será que por nós ocidentais supostamente desenvolvidos, cultos e eruditos nos deixamos vencer pela razão colocando a paixão e emoção como coisas não essenciais? Mais será que nós do alto da nossa sapiência achamos que tudo o que não é cientificamente explicável, o vai ser um dia e que não existe mais nada para além do que os nossos sentidos percepcionam?
E mais importante ainda arrogamo-nos de cultos e chama-mos bárbaros aos orientais e aos povos primitivos, só porque eles acreditam?
Como é óbvio eu próprio não tenho a resposta para estas perguntas, mas se nos é permitida a imodéstia de colocar a nossa opinião junto da de Platão e de Aristóteles, pensadores intemporais, pensamos que toda a vida tem uma razão de ser, se Deus existe? Cabe a cada um de nós descobrir, se existem pessoas que falam com ele, por favor mandem o número de telemóvel do Senhor, ou mesmo o mail.
Quero muito falar com o Senhor, penso que seria uma conversa muito interessante, ele explicar-me o truque da multiplicação dos peixes, ou aquele outro de andar sobre a água, entre tantos outros.
Seria sobretudo muito interessante o que Ele teria a dizer sobre o conflito no Darfur, ou sobre os conflitos sempre actuais entre Israel e a Palestina, sobre o que raio aconteceu na segunda guerra mundial, qual foi o papel do Hitler? Ah e já agora porque ao mesmo tempo que pessoas passam fome o líder católico vive num pequeno reino cheio de vestes imponentes, coberto de ouro, diz-se até que o João Paulo II tinha umas botas Dr. Martinez em branco, que inveja….
A verdade é que eu sou um herege, só digo coisas erradas, mas se querem acreditar em algo, acreditem em vocês próprios, na força que todos temos dentro de nós, uma força vital que todos os dias se revela num abraço, um beijo, um carinho, numa mãe a amamentar um filho, um pai a levar um filho ao futebol, (quem me dera), numa simples palavra, acreditem no Amor.


1- (Lucas 12:23, 27,28.)
2-
(salmo 37:5).
Libertas.

Wednesday, July 18, 2007

Vencer pelo ócio

Após um longo período de ausência está de volta à má-língua!
Devido a razoes de foro profissional, ou talvez por falta de profissionalismo que levou a prorrogar o tempo de exames ficamos algum tempo sem falar mal, mas estamos de volta, cheios de vontade de criticar o mundo.
É com espanto que verificamos o caro K que quer mudar o mundo com uma espécie de novas conferências do casino para mudar a sociedade portuguesa, oh K, mas isso dá trabalho! Será que este é o mesmo K que escreve que é um “burro cansado”….”Que o esforço só leva ao cansaço”, tens que te decidir ou a tua pró-actividade é evidenciada pelo ócio?
Ouvi algures que “é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma”, em verdade vos digo, se é necessário que tudo mude para que tudo fique na mesma, para que mudar? Podíamos simplesmente poupar-nos deste trabalho todo, vamos entediar os dirigentes até à exaustão que eles mais tarde ou mais cedo desistem de nos tentar enganar, porque simplesmente a gente não quer saber!

(até os rage against the magine quando lançaram o último single intitulado no one can't stop us now, separaram-se e não voltaram a actuar!)


Libertas.

Saturday, July 14, 2007

Serve the Servants

- K. como sempre que te encontro, estás sem fazer absolutamente nada, a gozar plenamente o ócio...
- Que posso eu dizer? Estou a reflectir, sou um diletante compulsivo.
- Ah, o senhor está em avançada reflexão então!?
- Exacto, e para ser franco, estou à espera que a Vida me revele algo sem eu ter de procurar.
- E porque não procurar ser útil?
- Porque de acordo com a minha mais profunda crença, são sempre os que se esforçam por emagrecer que engordam...
- Da mesma forma, os que querem ser úteis...
- ...acabam por ser chatos e verdadeiros empecilhos.
- Oh, assim os que lutam por ser felizes...serão sempre infelizes?
- Nem mais...a Vida é, na sua essência, uma grande farsa porque, ao contrário do que nos venderam, o esforço só leva ao cansaço. Por outro lado, todas as coisas que receamos têm um sentido de timing espantoso. Evidências? Hás-de reparar que quanto mais desespero pões, mais grãos de areia escapam entre os dedos. Os Deuses lançam a cenoura e os homens, invariavelmente, tentam apanhá-la em vão, sem saber que, ao mesmo tempo, os Deuses soltam os cães. Quanto a mim sou um burro cansado.
- Isso é um absurdo!
- Talvez...mas cada um é livre de viver a sua Verdade. Cá na minha ideia, quanto maior é o esforço...fim mais longe, Fim mais perto. O Homem deseja o que não pode e é obrigado a viver com o que não quer. Penso que se não me agarrar a nada, nada se agarra nem é atirado contra mim. Tenho uma sensação de controlo, o Mundo é bem melhor visto de cima.
- Eu às vezes pergunto-me se terás tanto prazer em dizer tamanhas idiotices. Gostas mesmo do que és?
- Temo ser demasiado parcial nesse assunto para ter uma posição convenientemente objectiva.
- És um tolo!
- Ser mais papista que o Papa há-de ser a tua queda...
- E o cinismo a tua...
- Cínico? Eu? Jamais me tinha visto dessa forma...um cínico, como disse o poeta que amava o que não podia, é um Homem que sabe o preço de tudo e o valor de nada e eu, apesar de saber o preço de tudo, também sei o valor de alguma coisa e o de coisa alguma. Quanto muito serei um sentimental perverso.
- Tu cansas-me...
- É a Tragédia das relações humanas, acabamos todos a bocejar mortalmente...
Ainda vamos ser grandes amigos.
- Deus me livre!
- Olha...agora tenho a certeza!

Friday, July 13, 2007

Quando eu te vejo

Os meus pequenos primos estavam indignados por a Luciana Abreu estar na TV com umas calças de ganga ("A Flor não usa calças!!!")...Curiosamente eu também...
Pff...e ainda teimam no Generation Gap...

Wednesday, July 11, 2007

The melting watch

Esperou-te a tarde inteira. Tinha um vestido branco, um bocadinho transparente, dava-lhe aquele ar “naïve e pós-moderno”, como ela própria o descrevia.
-Desculpe, tem horas? – perguntou-lhe um sem-ponteiros
Só aí caiu em si, mesmo a tempo de evitar as nuvens arroxeadas e o desagasalho do fim de tarde. Levantou-se, reparei que tinha o vestido sujo de relva, mas que lhe importava?
Esperou-te a tarde inteira, virava as páginas absortas do livro, juntava as letras, não lia. A certa altura deixou-me inquieta, confesso que achei arrogante perder tanto tempo com pensamentos sobre si própria, sem querer saber o que se passava naquele livro.
Contou-me que lhe pareceu ter-te visto há umas semanas, coisa que lhe acontece de tempos a tempos. Chegou a abordá-lo, descreveu-me pormenorizadamente a casa, o quarto, a maneira como compunha o cabelo com as mãos, repetidamente, compulsivamente, de forma tão desprezível que concluiu não ser possível seres tu.
A noite passada perguntou por ti num lugar onde param velhos com cheiro forte a colónia e mulheres impregnadas de talco, entre fotos e musica desbotada, mesas pesadas, enraizadas no chão pegadiço. Comentou que a vossa juventude faria um contraste interessante naquele lugar, e eu concordei.
Fiquei com a impressão que amanhã te vai procurar, quando a vi a percorrer o armário com os olhos. Não lhe disse que te tinha encontrado há umas semanas, que me sentei muito perto de ti e que trocámos meia dúzia de vulgaridades. Também não lhe contei que nesse dia subi as escadas do prédio, descalça, a correr, numa estranha descarga de adrenalina.
Pedi-lhe o vestido branco emprestado, mesmo que o dia não aqueça o suficiente vou usá-lo amanhã, para o caso de quereres trocar meia dúzia de vulgaridades, naqueles minutos de pretexto, entre duas estações.

Monday, July 9, 2007

Man in the Box

Falta alguém que clame por justiça. Esse alguém, como é óbvio, não sou eu. A mim agrada-me que a Vida seja injusta, não fosse assim e eu estava tramado.
Mas se há pessoa que merece justiça é o Luís Militão. Ele é a prova viva (por enquanto) de como Portugal continua a desperdiçar o talento, dando azo à afamada fuga dos cérebros para outras paragens, diminuindo o potencial a este canto. Tamanha miopia estratégica é desoladora, ainda para mais quando o que não falta ao Militão é visão (e desoladora também...para os rivais).
Não se deixem enganar, o Militão não está preso. Ele tem é um espaço de manobra reduzido mas isso faz parte do truque. Nada nem ninguém prendeu o Houdini.
O problema destes génios é o facto de em Portugal preferirmos sempre o estrangeiro, mesmo que de qualidade duvidosa, é estrangeiro e basta. Porque, muito sinceramente, o Scofield ao pé do Militão é um amador, tem é marketing.
Por estas e por outras é que o "real deal" vê-se obrigado a emigrar à procura da terra das oportunidades. Se o Militão tivesse nascido americano, não teria sido um "wasted talent" e as guerras recentes teriam sido resolvidas em dois/três dias, os árabes já adoravam o Papa e o Bin Laden e os seus comparsas já estavam a tomar o gosto à alta voltagem de Guantánamo.
Vamos acabar com o complexo de que só os países civilizados é que têm "criminal masterminds". Nós também os temos e melhores, os coitados têm é de emigrar.
Viver está mesmo mais difícil, até para os que tornam viver...difícil.

Tuesday, July 3, 2007

Amoris Causa

Ele, um soldado daqueles que nunca são heróis, pois não era forte como Hércules, corajoso como Aquiles ou belo como Adónis e tão-pouco tinha o carisma de um Alexandre. Era apenas um soldado de pouco valor, que os Deuses abandonam e dos quais não reza a História.
Certo dia, o soldado sem pena nem glória viu, com os seus olhos vagos, aquela que os trovadores vangloriam e pela qual os valorosos se perdem. O soldado, outrora triste e indiferente, possuía agora luz no peito.
Ela, uma Princesa em toda a sua graça venusiana, de olhos claros e penetrantes, belos cabelos loiros, face desenhada por um Miguel Ângelo e sorriso esfíngico e fatal como o de quem esconde um mistério dos muito misteriosos. Era toda a Antiguidade Clássica com a originalidade dos tempos modernos. Tinha tanto de intrigantemente fascinante como de fascinantemente intrigante.
O fraco soldado sentiu-se preso à sensível Princesa como um marinheiro está preso ao mar, o narciso à água e o corpo à alma.
Mergulhado na sua ilusão e depois de muito pensar, o pequeno soldado fez-se grande e, chegando-se perto da Princesa, disse-lhe "Perdoe-me a ousadia, senhora minha, mas eu, por quem os Deuses não nutrem simpatia, ao vê-la tomei consciência do vazio que tinha e do nada que me sentia...Acaso aceita o meu amor?"
A Princesa, graciosa em todos os seus gestos, rindo muito disse "Decerto que é um bravo soldado e o que diz será verdade mas, como prova da sua dedicação, peço-lhe que me espere cem dias diante do Palácio, só após essa proeza poderei aceitar de bom grado o seu amor."
O formoso soldado acedeu a tal pedido. Passou um, dois, três, cinquenta dias, em que fez chuva e sol e calor e frio e o destemido soldado não se movia. Teve sede, fome, foi alvo de chacota, todos riam do admirável soldado. Mas ele, certo do seu amor, permaneceu imóvel e imperturbável durante noventa e nove dias.
Na última noite, o soldado esquecido pelos Deuses virou-se de costas para o Palácio...e foi-se embora...

Friday, June 29, 2007

Pedido Especial

Eu não me dirijo à mesma entidade a que te diriges, caro K. Dirijo-me, antes, à Besta (não tu Libertas, a original!)...


Cara Besta,

Realiza aqui o desejo do meu amigo K. Como vês, as bandas que constariam, são bastante apologistas da tua pessoa, como tal, concretiza-o para teu próprio bem!! Tu próprio estás mais que convidado!

Ah... se não for pedir muito, fulmina o gajo que me roubou a baqueta que o Lars me estava a dar ("Take It, Take It")

Atenciosamente, com um metal up your ass,

Winston

Let the Music do the Talking

Eu sei que eu estou sempre a bater à Tua porta com pedidos e que Tu não és o TRL (felizmente!)...mas é que depois de ontem...só Te peço que organizes um festival, no S de Judas do Mundo, com bandas como Blackfield, Opeth, AiC, Ozzy e Metallica.
Sabes que eu, quando é para pedir, peço em grande e também não te custava nada...ao fim e ao cabo somos todos católicos e era por uma boa causa!
Para além do mais, uma Ode à Música destas faria com que a crise no Médio Oriente, a crise económica e a crise da Crise não passassem de bagatelas de spoiled kids.
A boa causa de que Te falei? Desde quando o Amor é racional?